O CÓDIGO
Willer Corrêa de Amorim
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Como posso eu, um simples mortal comum, falar de algo que não posso entender? É muito é difícil a gente falar da gente mesmo, ou do que a gente observa sem conhecer previamente. De repente é mais fácil refletir sem escrever nada, mas depois você acaba esquecendo e vai acabar se culpando por não tê-lo registrado. Muitas vezes pensamos mais rápido do que escrevemos, por isso não conseguimos escrever tudo o que pensamos. Escrever é uma forma arrojada na busca da descrição do transcendental. Depois de um tempo você entende que não entendeu nada, mas o coração sabe a verdade sobre o que não podemos compreender pela nossa limitada capacidade intuitiva.
É preciso olhar pra trás, para ter uma perspectiva do futuro. Os padrões mentais do caráter mudam constantemente e uma pessoa só pode construir valores positivos se estiver apoiada numa história sólida de bons acontecimentos, onde a troca de informação e conhecimentos empíricos lhe guiarão para novos horizontes. Esse é o verdadeiro objetivo da vida: ver ela ocorrendo como se você estivesse de fora. Muitas vezes temos que nos ver com outros olhos para nós mesmos. Você só pode ter perspectiva de futuro conhecendo seu passado. Nosso passado nos amadurece para seguirmos firmes adiante.
Devemos escalar uma montanha porque ela está ali. Mas depois tem outra na frente. Nós fomos criados para superarmos nossos limites. Nosso passado nos mostra que se conseguimos uma vez, conseguiremos novamente. Eu posso, eu sou capaz, eu vou vencer. Devemos olhar pra trás pra ir pra frente, caso contrário encontraremos apenas vazio. Quando refletimos sobre nossos erros e acertos, sobre nossas vitórias e nossas derrotas, criamos uma visão panorâmica de nossos passos passados, o que nos fornece uma bússola consciente, um renovado Norte para nosso destino. Devemos compartilhar, pois a cultura favorece a inteligência.
Uma vida de futilidades é uma vida morta e quem não tenta superar seus próprios limites é um inútil.
O beija-flor pescoço de rubi (Clytolaema rubricollis), migra do Golfo do México até o Alasca num percurso de mais de 800km sem parar durante cerca de 20h. Esse é um feito extraordinário para uma criatura tão pequena e supostamente frágil. Será que você é mais fraco que um beija-flor?
É muito curioso a observação metódica de diversos processos que permeiam nossas vidas. Quando juntamos as peças lógicas de diferentes entendimentos formamos uma nova sabedoria que nos dá um panorama amplificado na tomada de decisões. É imprescindível refletir diariamente sobre os mais variados pensamentos próprios. E é justamente aí que uma nova função mental começa a se desenvolver: uma nova consciência, uma inteligência independente, diferente de nossa consciência/inconsciência habituais, que buscam freneticamente o saber, não só por saber, mas fundamentalmente, por prazer.
As relações latentes decorrentes desse espetáculo interno irão proporcionar descobertas que irão lhe trazer uma satisfação incrível. Mas, depois de certo tempo, a quantidade de informação e dados necessitará de uma organização mais bruta, mais robusta, mais elaborada na sua essência. Isso significará um processo de indexação que irá lhe tomar um tempo significativo de empenho e energia. É trabalho para ter menos trabalho no futuro. Você ficará cansado, mas sabe que é preciso, é necessário, é primordial saber “o quê”, “quando” e “onde”, de maneira rápida, e sem um princípio adequado de arrumação, você ficará totalmente perdido, num verdadeiro caos...
Mas é justamente aí, que entra a matemática universal que permeia todos os fatores, basta perceber e notar com a alma que a mesma rege nosso viver muito mais do que podemos pensar. O caos organizado é a busca entrópica padronizada das leis da física do Cosmos. Isso está arraigado na nossa existência, em tudo o que somos ou deixamos de ser. Em tudo que rasteja, em tudo que fagocita, em tudo que sente, em tudo que grita, em tudo que sorri e em tudo que chora. Desde os primórdios, esse aplicativo executável prossegue em seu caminho, desde a aurora perdida no infinito passado.
Existe um código, um instinto, um sentimento, presente desde nossos mais primitivos ancestrais e que é o princípio primitivo fundamental de toda nossa existência.



